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Mercado já fala em Selic perto dos 7% este ano

Mercado já fala em Selic perto dos 7% este ano

Para economistas, alta dos combustíveis não muda plano de voo do Banco Central
Thaís Barcellos e Maria Regina Silva, Broadcast

22 Julho 2017 | 05h00

Nem mesmo o aumento de PIS/Cofins, anunciado pelo governo para ajudar a fechar o Orçamento deste ano, deve mudar os planos de curtíssimo prazo do Banco Central para redução da Selic, a taxa básica da economia. Na avaliação de economistas, o encarecimento dos combustíveis, por ora, não diminuiu as apostas de Selic chegando ao patamar de 7% ao final do ciclo, sobretudo porque os economistas acreditam que o quadro benigno para inflação ainda pode continuar.

O mercado calcula um impacto de 0,50 ponto porcentual da elevação do tributo no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano. Ainda assim, a inflação baixa e o cenário de atividade fraca devem ser os principais fatores a levar o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a manter o ritmo de queda de um ponto porcentual na taxa Selic no encontro deste mês, segundo economistas.

De acordo com pesquisa do Projeções Broadcast feita ontem com 41 instituições, 39 acreditam que os juros devem passar de 10,25% para 9,25% na reunião de julho. Para duas, a Selic deve cair para 9,50%. O Copom se reúne nos dias 25 e 26.

O levantamento, tradicionalmente divulgado nas quintas-feiras que antecedem o encontro do comitê, foi refeito ontem por conta do anúncio do aumento das alíquotas de PIS/Cofins sobre combustíveis. O total de participantes é o dobro do visto nessa sondagem, mas algumas casas afirmam que estão revisando as expectativas.

“Não vejo essa elevação de impostos mudando o curso da trajetória da Selic”, diz a economista Camila Abdelmalack, da CM Capital Markets. Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, a leitura a respeito das medidas fiscais, de que o governo demonstrou compromisso com tal ajuste, pode ser incluída como sinal para o Copom manter o relaxamento da política monetária. O Fator manteve a estimativa de recuo de um ponto porcentual na Selic este mês e de 7,50% no fim deste e do próximo ano.

Conservador. Da mesma forma, a CM Capital já estava no grupo dos mais conservadores em relação ao ciclo de queda de juros. Ela manteve sua aposta de corte de 0,75 ponto porcentual no Copom deste mês por causa da incerteza com relação à reforma da Previdência, embora inflação e atividade permitam queda mais intensa. A taxa terminal estimada é de 8,5%, embora Camila admita possível revisão após o Copom. “A alta do imposto deve reduzir a força desse ajuste tão baixista da Selic para o patamar de 7% com as expectativas de inflação subindo cerca de 0,50 ponto”, explica Camila, que deve mudar sua previsão para o IPCA de 2017 de 3,5% para 4%.

O economista Daniel Gomes da Silva, do Modal Asset Management, acredita que os aumentos em combustíveis não devem alterar o plano de voo do Banco Central. Mais relevante, diz, é ver qual peso a autoridade monetária dará à reforma da Previdência, que corre risco de não ser aprovada este ano.

Tendência. Além disso, afirma que o comunicado do Copom também será importante para obter alguma sinalização em relação ao fim do ciclo de queda da Selic. “Vamos ver se é possível o juro cair para além de 8,00%, 8,25%, ou se um desses níveis será o ideal. Isso será o mais relevante.”

Silva acredita que o atual momento econômico permite juros menores que 8%, mas ainda mantém essa estimativa para o fim deste ano e do seguinte, a fim de aguardar o comunicado. “Parte da economia permite: a atividade está fraca, a inflação está baixa e o governo está tentando conter o fiscal.”