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Fundo TPG faz oferta de R$ 1 bi para ficar com ativos da Abengoa no País

Fundo TPG faz oferta de R$ 1 bi para ficar com ativos da Abengoa no País

Em recuperação judicial na Europa e no Brasil, grupo espanhol do setor elétrico paralisou vários projetos no País, entre eles as linhas de transmissão de Belo Monte; consórcio entre fundo do banco BTG e Equatorial Energia também disputa os ativos

Renée Pereira, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

07 Março 2017 | 05h00

A divisão de infraestrutura do fundo americano TPG (Texas Pacific Group) apresentou proposta de cerca de R$ 1 bilhão para comprar os ativos da Abengoa no Brasil, apurou o ‘Estado’. O grupo espanhol, que atua no setor elétrico, entrou em recuperação judicial no Brasil em janeiro do ano passado, dois meses depois de a matriz fazer o pedido na Justiça europeia. Por aqui, a medida paralisou vários projetos, entre eles a linha de transmissão que levará energia da Hidrelétrica Belo Monte ao Nordeste.

Em situação difícil e uma dívida de cerca de R$ 3 bilhões, a espanhola atraiu diversos interessados em seus ativos nos últimos meses. Entre eles, a chinesa State Grid, a canadense Brookfield e um consórcio formado entre um fundo de infraestrutura do banco BTG com a empresa de energia Equatorial. O Estado apurou que TPG e BTG/Equatorial estão entre os principais candidatos aos negócios da Abengoa no Brasil, já que os outros concorrentes não teriam mais intenção de ficar com os ativos.

O TPG, que fechou seu escritório no Brasil no fim do ano passado, criou um fundo de infraestrutura – baseado em Pequim e em Hong Kong – para atuar em países emergentes. Uma das apostas é investir em negócios de energia elétrica, como os ativos da Abengoa, afirmou uma fonte. A gestora está sendo assessorada pelo Banco Modal no País. Procurados, TPG e Modal não se manifestaram.

O interesse do fundo na espanhola refere-se aos ativos de energia em operação, que estariam avaliados em cerca de R$ 1 bilhão. Os projetos greenfield – que ainda não saíram do papel – estão fora do radar grupo.

A proposta do TPG foi apresentada no dia 24 de fevereiro e está em avaliação pela G5 Evercore, que representa os credores da Abengoa. No ano passado, o fundo do BTG e o Equatorial fizeram uma proposta semelhante à do TPG. O consórcio ofereceu cerca de R$ 1 bilhão por nove concessões de linhas de transmissão da Abengoa, sendo R$ 724,7 milhões relacionados a dívidas que a companhia acumula no País. O BTG é um dos principais credores da Abengoa. A G5 não comentou.

Cronograma. A G5 vai analisar e apresentar as duas propostas aos credores. Uma decisão deverá ser tomada no fim de março. Para o governo, a venda dos ativos da Abengoa resolve uma série de problemas. “Seria uma solução muito bem-vinda”, afirmou o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. Segundo ele, se o negócio for concretizado e obedecer os critérios estabelecidos, a agência reguladora suspende o processo de caducidade aberto contra a Abengoa e que retoma as concessões para uma nova licitação.

Rufino explica que a única variável do contrato que poderá ser repactuada é o cronograma de obras. “Afinal, se tivermos de fazer um novo leilão, os prazos também serão mudados.” O executivo, que tem acompanhado de perto as negociações em torno da Abengoa, já foi informado da proposta do TPG. Segundo ele, apenas dois projetos já iniciados estariam na lista de ativos de interesse do fundo, além das linhas em operação.

Dentro da carteira de projetos da Abengoa está o chamado “linhão pré-Belo Monte”, empreendimento de 1.854 km de extensão, estimado em R$ 1,3 bilhão. Esse projeto deveria ter sido concluído em fevereiro do ano passado, mas hoje está paralisado. Procurada, a Abengoa não respondeu.